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O Golpe Militar
em Alagoas

O Golpe Militar de 1964 em Alagoas refletiu o cenário nacional de instabilidade política e disputas ideológicas, consolidando o domínio do bloco conservador sobre o estado. Às vésperas do 1º de abril, a elite alagoana, representada pelo governador Luiz Cavalcante e pelas tradicionais oligarquias locais, já exercia amplo controle sobre o Executivo e o Legislativo estadual, enfrentando pouca resistência. 

No cenário nacional, para mobilizar apoio às reformas de base, o presidente João Goulart promoveu comícios em todo o país, com destaque para o Comício das Reformas, no Rio de Janeiro, em 13 de março, que reuniu cerca de 200 mil pessoas. Jango anunciou medidas como o tabelamento de aluguéis, a nacionalização de refinarias e a desapropriação de terras para reforma agrária. 

As propostas aprofundaram a polarização entre setores progressistas e conservadores. Seis dias depois, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, com 500 mil pessoas, marcou o apoio civil ao golpe militar que viria a se concretizar em 31 de março.

No dia 2 de abril, com Jango já exilado no Uruguai, Ranieri Mazzilli assumiu interinamente a presidência, enquanto o poder real era exercido pelos militares. No dia 9, o Supremo Comando Revolucionário decretou o Ato Institucional nº 1 (AI-1), que cassou mandatos, suspendeu direitos políticos e determinou eleições indiretas. Em 11 de abril, o Congresso elegeu o marechal Castelo Branco como presidente, com mandato prorrogado até 1967. O que começou como uma intervenção supostamente temporária deu início a 21 anos de ditadura militar, marcados por censura, perseguições, tortura, assassinatos e graves violações aos direitos e liberdades democráticas.
 

Prisões e assassinatos

A violência institucional, as prisões arbitrárias e os assassinatos políticos marcaram esse período sombrio da história alagoana. Ao todo, de acordo com levantamento da Comissão da Verdade de de Alagoas, 156 alagoanos foram presos pelo regime militar. Entre eles estava o historiador Dirceu Lindoso, advogado e um dos principais intelectuais de Alagoas, além de Sebastião Barbosa de Araújo, também advogado e suplente de deputado.

Outros alagoanos foram perseguidos e assassinados. Entre eles estão: Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão, José Dalmo Guimarães, José Gomes Teixeira, Manoel Fiel Filho e Manoel Lisboa de Moura. 

Além desses, outros alagoanos seriam perseguidos, capturados, porém jamais retornariam para casa, para desespero de familiares.Uma dessas vítimas foi o jornalista e advogado Jayme Miranda, militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que virou símbolo da busca por justiça contra os assassinatos praticados pela ditadura militar. Além dele, Luiz Almeida Araújo
 

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Geraldo de Majella Marques
Introdução à luta política e início da resistência

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Alagoas, 28 de março de 1964

A crescente influência reformista em estados vizinhos, como Pernambuco, governado por Miguel Arraes, gerava preocupação entre as elites locais. A situação se agravou com a organização de um grande comício na capital alagoana, previsto para 28 de março de 1964, dias antes do golpe, com a presença de Arraes e Leonel Brizola, dois dos principais líderes do trabalhismo no país. 

“A polícia fechou o cerco e prendeu muitos militantes. Eu e Jayme [Miranda] não fomos para casa naquela noite. A gente sabia que iria começar as prisões porque isso vazou. Alguns camaradas foram presos em casa no dia do comício. As medidas tomadas para a repressão sob o comando [do governador Luiz Cavalcante] foram severas, inclusive a perseguição aos comunistas após aquele comício. Luiz Cavalcante foi o governador general, ele escondia isso, mas era general, um dos governos mais repressores de Alagoas, não foi democrata, era anticomunista assumido”, contou Nilson Miranda, irmão de Jayme Miranda, dirigente do PCB que seria assassinado pela ditadura anos depois, em seu depoimento à Comissão da Verdade de Alagoas.

A repressão foi imediata e violenta. Vários líderes políticos e intelectuais foram perseguidos e presos, entre eles Jayme Miranda, que seria preso e assassinado anos depois, e o líder sindicalista nascido em Pernambuco, Rubens Colaço. O advogado e líder estudantil José Moura Rocha foi preso e colocado na mesma cela onde estavam dois criminosos condenados, contra quem Moura havia atuado como advogado de acusação em um julgamento.

A violência do regime não se restringiu à perseguição direta aos opositores. O jornal A Voz do Povo, ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi incendiado por membros da extrema direita com ligações com a polícia e grupos paramilitares. O ato resultou na destruição completa dos arquivos do periódico, um dos poucos veículos que ainda denunciavam a repressão. A cassação de Sandoval Caju, prefeito de Maceió, ocorreu pouco depois. Mesmo sem qualquer vinculação com o comunismo, ele foi destituído do cargo pelo Ato Institucional nº 1, que também suspendeu seus direitos políticos.

As eleições de 1965 para o governo do estado foram marcadas por suborno, perseguições e coerção política. O candidato Muniz Falcão, opositor do regime, venceu nas urnas, mas foi impedido de tomar posse sob a alegação de que não havia conquistado a maioria absoluta dos votos. A justificativa, contraditória, não foi aplicada ao pleito anterior, quando Luiz Cavalcante assumiu o governo com uma margem inferior. Em seu lugar, o general Castelo Branco nomeou João José Batista Tubino como interventor, consolidando o domínio militar em Alagoas.

A derrota política foi um duro golpe para Muniz Falcão, que faleceu em 1966, vítima de um câncer. Seu funeral foi marcado por uma grande manifestação popular, considerada o primeiro protesto coletivo contra a ditadura em Alagoas. Milhares de eleitores rasgaram seus títulos e os depositaram sobre seu túmulo, um ato simbólico de repúdio à repressão e ao desmantelamento da democracia no estado.
 

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