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Jayme Amorim de Miranda:
vida, militância e desaparecimento
 

Jayme Amorim de Miranda nasceu em 18 de julho de 1926, no bairro do Poço, em Maceió, Alagoas. Jornalista e advogado, foi um dos principais dirigentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Filho de Manoel Simplício de Miranda e Hermé Amorim de Miranda, cresceu em uma família numerosa de classe média baixa, ajudando o pai no bar e lanchonete da família. O contato com a militância comunista ocorreu ainda na juventude, influenciado por parentes que participaram da Insurreição Comunista de 1935. Na imprensa, atuou como revisor dos jornais Jornal de Alagoas e A Notícia, ambientes que o aproximaram de jornalistas e militantes do PCB.

Ingressou na União da Juventude Comunista (UJC) e esteve nas ruas contra o nazi-fascismo, em defesa da entrada do Brasil na Segunda Guerra. Tentou, sem sucesso, o vestibular para Química antes de ser aprovado em Direito pela Faculdade de Alagoas. Em 1946, foi para a Escola de Sargentos das Armas (ESA), no Rio de Janeiro, mas não se adaptou à disciplina militar e deixou a carreira antes do tempo regulamentar.

De volta a Alagoas, intensificou sua atuação no PCB e dirigiu o jornal *A Voz do Povo*, veículo vinculado ao partido, frequentemente alvo da repressão. Foi preso em 1950 durante um protesto contra o governo de Alagoas e, com a perseguição ao PCB, transferiu-se para Pernambuco, onde foi preso novamente pelo DOPS em 1953 e levado de volta a Maceió, ficando encarcerado por mais de um ano. Ao recuperar a liberdade, assumiu papéis estratégicos no partido e, em 1960, foi eleito para o Comitê Central do PCB. Reeleito em 1967, integrou a Comissão Executiva da legenda.

Com a intensificação da repressão após o golpe de 1964, entrou na clandestinidade e passou a viver no Rio de Janeiro, mudando-se constantemente. Em 4 de fevereiro de 1975, saiu de casa para uma missão partidária e não voltou. Segundo Geraldo de Majella, foi sequestrado pelo DOI-CODI e levado a um cativeiro em São Paulo, onde foi torturado e morto. Seu corpo nunca foi encontrado. 
 

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Advogados Alagoanos na ditadura militar

José Oliveira Costa (OAB/ AL 573) 
Luiz de Gonzaga Mendes de Barros (OAB/AL 870) 
Benjamin das Neves (OAB/AL 807) 
Maria Lígia Jablonka Jannuzzi (OAB/AL 794) (transferência SP) 
Jose Verres Domingues (OAB/AL 8600A) (Falecido nos dias atuais)
Antônio Aleixo Paes de Albuquerque 
Mércia Albuquerque Ferreira

Advogados Depoentes da Comissão Estadual da Memória e Verdade Jayme Miranda

Aldo Arantes
Eliezer Lira
Elzir Colaço
Everaldo Patriota
Fernando José de Barros Costa
Flávio Lima e Silva
Jeferson Luiz de Barros Costa
José Oliveira Costa
Luiz de Gonzaga Mendes de Barror (Procurador)
Marcelo Lavenére
Maria Ligia Jablonka Jannuzi
Tutmés Airan (Desembargador)

 

Advogados na linha de frente:
a defesa dos presos políticos em Alagoas durante a ditadura

Durante a ditadura militar (1964-1985), a advocacia alagoana teve um papel fundamental na defesa de presos políticos, enfrentando ameaças, perseguições e represálias do regime. Advogados corajosos desafiaram o aparato repressivo do Estado, assegurando assistência jurídica a militantes, estudantes, sindicalistas e camponeses que foram arbitrariamente detidos, torturados e, em muitos casos, desapareceram sem deixar vestígios.  

De acordo com pesquisa do jornalista e historiador Geraldo de Majella, desde os primeiros dias do golpe, advogados como José de Oliveira Costa assumiram a defesa de presos políticos, como José Moura Rocha, detido logo em 1º de abril de 1964. Em Recife, Luiz Gonzaga Mendes de Barros atuou na 7ª Auditoria Militar da 4ª Região, representando figuras como Rubens Colaço Rodrigues e Walter Pedrosa. Em Alagoas, Benjamim das Neves, Antônio Aleixo Paes de Albuquerque e Maria Lígia Jablonka Jannuzzi estiveram à frente da defesa de estudantes e trabalhadores rurais perseguidos.  

A postura da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Alagoas (OAB/AL) no início do regime foi hesitante, mas a entidade ganhou protagonismo quando José Verres Domingues assumiu a presidência. Em meio ao período mais repressivo do regime, ele deslocou a OAB-AL de uma posição de conivência para um enfrentamento mais aberto contra a ditadura, arriscando-se ao lado dos colegas que tentavam garantir um mínimo de justiça aos presos políticos.  

Fora de Alagoas, a pernambucana Mércia Albuquerque Ferreira também se destacou. De origem alagoana, ela mergulhou na defesa de presos políticos, enfrentando prisões sucessivas e tornando-se um símbolo da resistência jurídica ao arbítrio militar. Um dos episódios mais marcantes de sua trajetória foi a defesa de Gregório Bezerra, brutalmente arrastado pelas ruas de Recife por um tenente-coronel do Exército, em uma cena que expôs a violência do regime.  

O número exato de presos políticos em Alagoas durante a ditadura ainda não foi plenamente estabelecido, mas os nomes desses advogados devem ser lembrados. Eles desafiaram o medo e o terror impostos pelo Estado, sustentando a luta pelo direito à defesa e pela dignidade humana. Em tempos de repressão, sua atuação não apenas garantiu alguma assistência aos perseguidos, mas também resguardou a história da resistência jurídica em Alagoas.  
 

Geraldo de Majella Marques
Jayme Amorim de Miranda

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