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Carlos Povina Cavalcanti

Carlos Povina Cavalcanti foi advogado, escritor, crítico literário e procurador, além de presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Nasceu em 14 de agosto de 1898, em União dos Palmares (AL). Estudou em Maceió e construiu sólida carreira jurídica no Rio de Janeiro, onde também se destacou como biógrafo e ensaísta. Escreveu sobre figuras centrais da cultura brasileira, como o poeta Jorge de Lima — seu cunhado — e o compositor Hermes Fontes. Foi fundador da Academia Alagoana de Letras e membro da Academia Carioca de Letras. Na esfera jurídica, ocupou cargos relevantes, entre eles o de procurador-geral do antigo Estado da Guanabara, durante os governos de Carlos Lacerda e Negrão de Lima. Presidiu a OAB entre 1962 e 1965, em um dos períodos mais delicados da história política do país, marcado pelo golpe militar e pela supressão de garantias democráticas. Durante sua gestão na Ordem, protagonizou um dos episódios mais simbólicos de resistência institucional: a inscrição, nos quadros da OAB, dos juristas Hermes Lima, Victor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva, ex-ministros do Supremo Tribunal Federal cassados pela Ditadura e impedidos de se registrar na seccional do Distrito Federal. A decisão, apoiada por nomes como Seabra Fagundes e Sobral Pinto, foi interpretada como um gesto de enfrentamento civil diante da escalada autoritária. Em 1964, Povina integrou a comissão nomeada pelo presidente Castelo Branco para apurar a situação de nove integrantes da Missão Comercial da China, detidos após o golpe de Estado. Os chineses, convidados ao país pelo governo João Goulart, foram presos no quartel da Polícia do Exército e, em dezembro, condenados pela Justiça Militar a dez anos de prisão sob a acusação de conspiração. A defesa foi assumida por Sobral Pinto, que conseguiu a expulsão dos estrangeiros, única saída possível dentro do regime de exceção. A atuação de Povina Cavalcanti, no entanto, não escapou de críticas. Em 2008, o jornal O Globo publicou matéria questionando sua suposta passividade frente ao endurecimento institucional promovido pelo Ato Institucional nº 5. Dias depois, seu filho, Gilberto Povina, contestou a reportagem por meio de carta enviada à OAB, em defesa da memória do pai. Além da atuação no campo jurídico, Povina esteve envolvido em atividades culturais e sociais, como o Automóvel Clube do Brasil. Publicou, em 1972, o livro Volta à Infância, no qual resgata memórias da juventude e da formação pessoal. Seu nome permanece vinculado a momentos cruciais da vida política e institucional do país, em que a advocacia assumiu papel central na defesa de direitos e na denúncia de abusos do poder.

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